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A caminho do dia 11 de Dezembro (7)

por 2711, em 09.12.10

A vontade dos povos muda

 

 

A Gallaecia foi uma província romana que compreendia boa parte do actual Norte de Portugal, da actual Galiza e Astúrias assim como as províncias de Leon e Zamora, tendo como capital Bracara Augusta (Braga).

 

 

 

Neste aniversário do “vinte e sete onze” fica bem recordar um pouco de história. Recordar que as fronteiras não são eternas e D. Afonso Henriques não foi o princípio de tudo nem o fim último.

 

Quando os povos começam a ficar fartos dos seus senhores instala-se um certo desconforto e um sentimento de mudança invade, paulatinamente, o seu subconsciente colectivo. Foi assim com boa parte dos habitantes da nossa Península Ibérica ao longo dos séculos.

 

Quem acredita na imutabilidade eterna das fronteiras ou na unidade de um povo só por este conviver no mesmo espaço ao longo dos últimos oito/nove séculos, esquece um simples pormenor: 900 anos são uma pequena gota de água nesse enorme oceano que é a história da Humanidade. São, provavelmente, os mesmos que em 1135 não acreditariam que as suas fronteiras estavam próximas de ser alteradas ou que em 1635 acreditavam que os Filipes seriam eternos ou que em 1971 julgavam que Portugal seria perpetuamente do Minho a Timor.

 

Tudo se resume numa simples palavra: Pão. Assim foi no passado, assim é no presente e assim será no futuro. A forma como, nas últimas décadas, o Povo do Norte foi e continua a ser tratado pelo todo, assim como os erros que cometeu pelo caminho, estão a ter como consequência um escassear do pão. Quando não há pão, todos ralham e ninguém tem razão, diz o ditado.

 

A história diz coisa diferente: quando não há pão sobra a revolta. Alguns julgam que estamos a exagerar. Outros começam a perceber os sinais. É tudo uma questão de lucidez ou falta dela.

 

 

 

 

Um forte abraço a todos os que, diariamente, fazem do 2711 um prazer de leitura para tantos que, como eu, por cá passam.


 

Fernando Moreira de Sá

Albergue Espanhol, AventarOs Cafeínicos

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17 comentários

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De Nuno Raimundo a 09.12.2010 às 14:54

:)
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De António de Almeida a 09.12.2010 às 17:03

Mais que considerar a soberania nacional ameaçada, afinal a Espanha tem problemas graves por resolver, volta e meia fala-se na união Ibérica, mas apenas deste lado da fronteira, ide ouvir bascos, catalães e até galegos sobre o assunto, diria que a Liberdade, essa sim, se encontra em causa, pois não faltará quem esteja disposto a apoiar um qualquer ditador se este lhe der de comer.
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De Fernando Moreira de Sá a 09.12.2010 às 17:15

Sim, a soberania não está em causa por factores externos, ou seja, por vontade/apetite da vizinhança.

Mas uma coisa é certa: "não faltará quem esteja disposto a apoiar um qualquer ditador se este lhe der de comer", esse é, sem dúvida, o maior perigo.

Cumprimentos.
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De Kássia Kiss a 09.12.2010 às 18:40

É verdade. Os ditadores surgem em tempos de crise. Nessas alturas, estamos mais abertos a soluções radicais, a quem nos promete o Céu e a Terra e dá a impressão de saber o que quer.

Mas cuidado! Os ditadores são, acima de tudo, mestres da demagogia...
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De João António a 09.12.2010 às 18:57

Os povos são facilmente manipuláveis pelo alimento, ocasionando nas mais diversas ocasiões erros que se pagam "com língua de palmo"
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De Fernando Moreira de Sá a 09.12.2010 às 22:36

E pagam-se bem caros, bem caros.

Um abraço.
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De Daniel João Santos a 09.12.2010 às 19:53

Muito bem observado. Espero é que o Norte deixe de aceitar este constante apertão. Deixe de aceitar a centralização da riqueza de Portugal apenas num cidade que fica a Sul e é a capital. Eu ainda sou mais radical, a capital do país deveria ser Guimarães.
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De Fernando Moreira de Sá a 09.12.2010 às 22:35

Ou Vila Real ou mesmo Viseu. Não é ser radical, é ser realista perante a necessidade urgente de mudança.

Um abraço, Obrigado e bom aniversário!
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De manuel gouveia a 09.12.2010 às 20:26

Falta-nos um Viriato e a Espanha não está nada interessada em tomar conta de nós...
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De Fernando Moreira de Sá a 09.12.2010 às 22:33

Como disse (supostamente) o outro: somos um povo que não se governa nem se deixa governar.

Um abraço.
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De Ramiro a 09.12.2010 às 21:07

Somos um povo acomodado.
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De Fernando Moreira de Sá a 09.12.2010 às 22:31

Somos não. Estamos.

Um abraço.
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De joshua a 09.12.2010 às 22:05

Sinto a revolta com quem quer que eu fale, ela está lá, palpável, à espera do menor rastilho. O Norte rebelar-se-á mais dia menos dia por força de uma política feita com os pés, meu caro Fernando.

Parabéns pelo texto e um abraço.
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De Fernando Moreira de Sá a 09.12.2010 às 22:32

Sinto o mesmo, meu caro.


Eu é que agradeço. Um abraço.
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De Renato Seara a 09.12.2010 às 23:19

Como minhoto, não me desagrada um estreitar de relações com a Galiza. Acho que seria benéfico para as duas regiões.
Óptimo texto. Cumprimentos.
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De Fernando Moreira de Sá a 10.12.2010 às 10:43

Obrigado. Um abraço.

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