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Concerto, há. Conserto é que não!

por Eduardo Louro, em 10.07.15

 

Começa finalmente a perspectivar-se alguma solução para a crise grega, que não para o problema grego, esse permanece e continuará a crescer.

Depois das piruetas de toda a gente, de Tsipras pisar as linhas vermelhas e de Juncker, presidente da comissão, Lagarde, do FMI, e Donald Tusk, presidente do conselho europeu, terem pisado as do ridículo, juntando-se a Jack Lew, secretário do Tesouro norte-americano, para pedir um alívio (perdão) da dívida grega. E depois de Schauble lhe ter proposto trocar a Grécia por Porto Rico, e Merkel jurar que poderá fazer tudo à dívida grega menos cortá-la na forma clássica (há certamente formas neoclássicas), o governo grego passou a apresentar propostas sérias e credíveis (Hollande), em texto completo (Dijsselbloem, o holandês que preside ao eurogrupo), e tudo se encaminha para a concertação.

Que não para o conserto: o que se destruiu na Grécia já não tem conserto!

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Resgate moral

por Eduardo Louro, em 05.05.15

Esse grande vulto da vida nacional, e escriba emérito que responde pelo nome de Duarte Mendes, citou-o num dos seus escritos que o Expresso publica. Alguém capaz de merecer a admiração dessa eminência do PSD só podia ser gente de pensamento profundo, injustamente votada ao anonimato, donde teria de ser imediatamente resgatada.  O país não podia continuar a desconhecer o pensamento produzido e armazenado em tão brilhante mente!

Foi provavelmente isso que terá animado Francisco Louçã a partir à pesquisa dos seus feitos e a trazer Pedro Cosme Vieira, professor na Faculdade de Economia do Porto – seu colega, portanto – para o grande público. Não foi em vão, o tempo perdido por Louçã.

O país descobriu alguém que tem uma solução para a SIDA: o abate sanitário de todos os infectados. Sem qualquer problema na demografia: em apenas 15 anos, já sem ninguém infectado, seriam recuperados os 35 milhões de pessoas abatidas. E também solução para o drama dos que atravessam o Mediterrâneo para fugir da morte que lá têm por certa: atropelá-los em alto mar e “meter um tiro em cada um “ que consiga sair a nadar. Nos primeiros dias morrerão uns milhares, mas em pouco tempo deixará de haver do lado de lá “pretalhada” a querer entrar naqueles barcos.

É isto um professor universitário. É isto um modelo de referência da entourage Passista, de que Duarte Mendes é apenas um specimen.

Ah… Parece que, captada a fama, pôs agora a correr que tudo isto não passa de uma estratégia de comunicação. De uma forma de fazer ouvir o seu blogue na selva da blogosfera. Imagino a decepção do Duarte Mendes…  

Haverá  ainda tempo para o resgate moral do país?

 

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Depois de a Irlanda anunciar que sairia do programa da troika sem mas nem meio mas, directinha para os mercados por sua conta e risco, começou a ouvir-se da parte do governo português semelhante intenção. Ouvir tal coisa a Paulo Portas até poderia não surpreender - há muito que perdeu a capacidade de nos surpreender -, mas ser Passos Coelho a pretender que levemos a sério essa hipótese ultrapassa a nossa capacidade de entendimento do que se esteja a passar.

E não é apenas por a nossa situação económica estar bem longe da irlandesa. Nem por as causas dos problemas da Irlanda (eminentemente financeiros, do próprio sistema financeiro) e de Portugal (fundamentalmente económicos) serem completamente diferentes. Nem sequer por estarmos com resultados piores do que os levaram ao resgate. É porque ainda há pouco mais de um mês o primeiro-ministro ameaçava com o segundo resgate, e há apenas duas semanas o ministro da economia informava em versão lapso que o governo estava a preparar um programa cautelar!

Ou nada disto passa de um jogo de póquer, onde a vida dos portugueses se joga como fichas de casino ou – o que não dá em nada de muito diferente -, como não sabe para onde vai, para o primeiro-ministro qualquer caminho serve…  

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Programa cautelar

por Eduardo Louro, em 22.10.13

António Pires de Lima, actual ministro da economia e ex-ministro da economia do novo ciclo, do CDS, anunciou em Londres que Portugal está a preparar o programa cautelar para começar a negociar no início de 2014.

Moreira da Silva, actual ministro do ambiente, da ordenação do território e da energia, e ex-Marco António Costa do PSD, diz que sabe o que é um programa de resgate, que é aquilo a que Portugal está sujeito até Julho do próximo ano, mas que não sabe o que é um programa cautelar. E reforça:  "Essa notícia deve ser clarificada. Programa cautelar é uma definição que ainda não existe no espaço público e por isso não me quero pronunciar".

Quer dizer: o programa cautelar - que Moreira da Silva nem sabe o que é - existe no governo, não existe é no espaço público. E quando vier a existir, Moreira da SIlva diz que não será o CDS a dar-lhe existência. Continua bem a coligação. De boa saúde, recomenda-se...

Entretanto, à cautela, Carlos Moedas reforça a equipa de "acompanhamento da execução de medidas do memorando". Com dois especialistas, de 21 e 22 anos, de "excelentes currículos académicos" e vasta experiência profissional:um estágio profissional de 3 meses no Gabinete de Estratégia e Estudos do Ministério da Economia e Emprego!

Não há programa cautelar que nos resgate a esta gente!

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Era hoje. Precisamente hoje!

por Eduardo Louro, em 23.09.13

Era hoje. Era para hoje, 23 de Setembro de 2013, que Vítor Gaspar tinha agendado o regresso aos mercados.

O processo de ajustamento, um ano antes do fim do programa da troika, estaria concluído e Portugal regressaria hoje aos mercados… A certeza era tanta que até dava para fixar um dia. Exactamente, com toda a precisão!

Não sei se tinha alguma coisa a ver com as eleições na Alemanha. Se seria a homenagem que Vítor Gaspar quereria prestar à senhora Merkel. Sei – sabemos – que este 23 de Setembro dá para Merkel festejar. Os alemães adoram-na, deram-lhe 41,5% dos votos, mesmo que lhe tenham deixado nas mãos a batata quente de formar governo sem a sua habitual bengala, os liberais do FDP. E que, por cá, em vez de regresso aos mercados, se fala de novo resgate. E que lá por fora Portugal não é mais o bom aluno, mas o problema maior do euro

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A verem passar navios

por Daniel João Santos, em 17.09.13

Os funcionários da Troika, que estão em Lisboa, conseguiram algo inédito em Portugal: Patrões e sindicatos em sintonia, mas também a verem passar navios.

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