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Cada fisgada cada melro

por Eduardo Louro, em 18.11.15

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Quando - vai para trinta anos - a troco de um prato de lentilhas, Cavaco mandou destruir a frota pesqueira nacional, não estava a cometer um crime contra a economia nacional. Estava apenas a revelar uma rara visão de longo prazo, só ao alcance dos eleitos, de homens providenciais. Dos verdadeiros visionários!

Demoramos anos - quase trinta, vejam bem o avanço que nos dá -  a percebê-lo. Perdão, demorou anos a explicar-nos, mas finalmente explicou-o hoje, em plena Pérola do Atlântico, onde cumpria a sua missão de encanar a perna à rã, agora na fase a que pomposamente chamou Roteiro para uma Economia Dinâmica. Um Roteiro que se esgotou nas inaugurações de um centro de design, uma adega e um hotel. E numa visita a uma empresa de piscicultura.

Aí está. Quer dizer, foi aí. Justamente aí, que Cavaco explicou a revelação que o futuro lhe fizera há quase trinta anos atrás. A única forma - revelou hoje - de Portugal, enquanto grande consumidor de peixe, resolver o problema das suas contas externas é " produzir peixe nestas quintas de peixe, fish farms como os ingleses lhe chamam"!

Gostando os portugueses, como gostam, do seu peixinho para que é que o país queria uma frota pesqueira?

Para pescar, responderia o comum dos mortais. Para pescar o peixe de que os portugueses tanto gostam. Para nada, respondeu há trinta anos Cavaco. É que não só não são preciso barcos para apanhar o peixe na farm - talvez fisgas bastem - como essa é a ùnica forma de, por força dessa mania de comermos peixe acima das nossas possibilidades, resolver o problema das nossas contas externas.

E, com os cofres cheios e o problema das contas externas resolvido, qual crise, qual carapuça?

Cada tiro - perdão: cada fisgada - cada melro!

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Notícias do bom aluno

por Eduardo Louro, em 22.08.15

 

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Por este ano já se acabou a sardinha... Não, não acabou a época da sardinhada. Até ao fim do Verão ainda haverá por aí umas sardinhadas... Com sardinha espanhola, e ainda mais cara,,,

Também é para isto que serve o bom aluno... convenientemente confundido com o aluno obediente, que come e cala. Que, no fim de contas, é o que importa: para isto e para outras coisas semelhantes!

Por isso a ministra Cristas diz que tem de ser assim. que o que tem que ser tem muita força. Que temos de cumprir, se não no futuro teremos ainda quotas menores... É assim. Sempre foi assim... É sempre esta a história do bom aluno!

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Na rota das cagarras

por Eduardo Louro, em 06.05.15

Hoje, nos fiordes da Noruega, onde não consta que haja cagarras, Cavaco falou da propensão dos portugueses para o consumo de peixe, de que são dos maiores consumidores mundiais per capita. E passou de imediato a lamentar o défice comercial no sector, para depois dizer que basta. Que os portugueses não podem continuar a consumir mais peixe do que produzem, transformando logo isso em desafios de investimento aos empreendedores. Presentes e ausentes...

Estava a ouvir isto e não queria acreditar: não me digam que o homem vai fazer mea culpa e, já não digo que peça desculpa pelo que fez às nossas pescas – isso era uma impossibilidade, afinal continua sem dúvidas e sem se enganar –, mas acredita que já ninguém se lembra, e vai apelar ao investimento na nossa actividade pesqueira?

Afinal ele até já por lá apelou ao próximo governo para criar o Ministério do Mar… Não durou mais que um ou dois segundos, a minha expectativa. Mal acabara de pôr o ponto de interrogação no fim da ideia, a acabar de arrumar aquele meu juízo, e já a da boca de Cavaco saíam, não perdigotos encharcados em bolo-rei, mas a revelação da chave do problema: aquacultura.

Tenho que concordar: tem muito menos riscos... Força emprendedores: em força para a aquacultura!

 

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