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Empurrar com a barriga

por Eduardo Louro, em 03.12.13

O governo procura hoje trocar títulos de dívida com vencimento em 2014 e 2015 por outros a pagar em 2017 ou 2018. Não se trata de qualquer reestruturação da dívida - nisso o governo nem quer ouvir falar - mas do melhor exemplo de empurrar com a barriga!

Disso, de empurrar com a barriga, é que o governo gosta. Não resolve nada mas sempre alivia alguma coisa em tempos de eleições...

E vai correr bem. Os bancos não estão cá para outra coisa...

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Ma-so-quis-mo

por Eduardo Louro, em 03.10.13

Em terras suecas o Presidente da República, depois de ter decretado o fim da recessão, atirou-se à dívida para a declarar sustentável. Ele que ainda no início do ano identificava uma espiral recessiva na economia nacional e alertava para a insustentabilidade da dívida…

Agora não acha apenas que a dívida é sustentável. Acha que quem achar o contrário é masoquista. Mas cheira é a sadismo, quando diz que dizer que a dívida é insustentável é “uma atitude de ma-so-quis-mo”!

Poderia dizer que isto é ton-ti-ce, mas como isso não se pode dizer do Presidente da República, direi que é sadomasoquismo. Uma coisa tão portuguesa como o fado, o fado que nos entregou a esta gente: Cavaco na presidência, Passos Coelho no governo e Seguro na oposição (e ainda Merkel na Europa) é, como ainda há dias escrevia Miguel Sousa Tavares, a tempestade perfeita!

 

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Acabou o Verão. Voltemos à realidade!

por Eduardo Louro, em 13.09.13

Admito que já nem todos se lembrem, mas o grande objectivo do governo e a bandeira de Vítor Gaspar, o regresso aos mercados, estava marcado para 23 de Setembro. Bem sei que não é na próxima segunda feira, é na outra!

Falta uma semana, e em vez de vermos os mercados a fervilhar de expectativa à nossa espera, ansiosos por nos receberem de braços abertos, vemo-los de costas viradas, lá muito longe, afastados como há muito não víamos. É exactamente isso que quer dizer a taxa de juro já bem acima dos 7% nos mercados secundários, ao nível do pior de 2011, quando o resgate era inevitável!

Quer isto dizer que, ao contrário do que vinha sendo apregoado pela máquina de propaganda ao serviço do governo, o país não recuperou confiança nenhuma. Os credores não acreditam que Portugal possa alguma vez pagar o que deve, e não há regresso nenhum aos mercados. Nem na data marcada por Passos e Gaspar nem em qualquer outra!

Porque, como sempre se disse, o programa da troika não batia certo e, no que batia, não foi executado. Veja-se a paradigmática reforma do Estado: absolutamente indispensável (reforma administrativa, reforma da justiça, desburocratização, eliminação de serviços duplicados e triplicados, reforma da administração local, reforma do sistema eleitoral, etc.) foi transformada numa mal amanhada junção de umas freguesias e no corte cego funcionários públicos.

E, por isso, como Vítor Gaspar enunciou sem rodeios na sua carta de demissão que quis tornar pública, tudo falhou.

Os objectivos de controlo do défice falharam sucessivamente, como irão continuar a falhar. Paulo Portas e Maria Luís Albuquerque andaram toda a semana, em Bruxelas e em Washington, a tentar convencer a troika a mais uma flexibilização (de 4 para 4,5%). Sem êxito, ao que parece, mas também sem convicção, com a ministra das finanças já hoje a garantir que a meta estabelecida é para cumprir, que não há pedido nenhum de flexibilização, em conformidade com o seu chefe natural e em confrontação aberta com o chefe que lhe foi imposto. Bonito!

A dívida, que a máquina de propaganda do governo diz ser para pagar e estar a ser paga, não parou de subir e já passa dos 130% do PIB. Impagável, como toda a gente sabe. Se antes se falava da renegociação da dívida como condição sine qua non para o sucesso da recuperação económica e financeira do país, hoje já não há economista sério que não tenha que dizer que sem perdão de dívida, sem hair cut, não há recuperação possível.

É por isto que ninguém já acredita no chamado programa de ajustamento.  Mas, para Maria Luís Albuquerque, não é por nada disto. 

É pelo Tribunal Constitucional. Exactamente em conformidade com o seu chefe natural e, mais uma vez, em confrontação com o chefe imposto!

Dramático. Por cá ninguém põe ordem nisto: não há oposição, Seguro é cada vez mais uma anedota e Cavaco auto mutilou-se. E a União Europeia continua congelada pelo frio do norte, imobilizada, como se nada percebesse do que se está a passar, como se voltou a ver hoje na reunião do eurogrupo. Ou irresponsavelmente na lua, na pessoa do seu suposto responsável máximo...

 

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Revisita à lei de Gresham

por Eduardo Louro, em 27.08.13

O Secretário de Estado Carlos Moedas deu hoje uma aula na Universidade de Verão do PSD, em Castelo de Vide, a lembrar Vítor Gaspar, que imitou quase na perfeição.

Falou, claro, sobre a dívida: que é para pagar - “as dívidas têm que ser todas pagas, os países têm que pagar as dívidas e é importantíssimo que isso fique claro, que o esforço que os portugueses estão a fazer é para termos essa credibilidade”, disse.

Mas não falou claro sobre a dívida, contra a qual nada tem. “Que é necessária”, que “sempre se trabalhou com dívida”, mas “não pode ser é uma dívida em excesso”. Rematando que, “como tudo na vida, nada em excesso é bom”.

Claro que isto não é falar claro, nem sobre a dívida nem sobre excessos. Até porque os excessos não estão só na dívida. Que é para pagar mas que, na prática, a teoria de Moedas (e de Gaspar, e de Albuquerque, e de Passos, e de tuti quanti) só tem feito aumentar. 

Bom, mas lá temos nós de revisitar a lei de Gresham: e este é apenas a má Moedas. A boa Moedas é que continua sem aparecer…

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Coisas de hoje ... e de todos os dias!

por Eduardo Louro, em 21.05.13

Não se percebe bem como, mas parece que é verdade: três anos depois, Portugal abandonou o clube da bancarrota.

A gente vê estas coisas e fica a achar que cada vez percebe menos disto...

O Presidente confirma a convocatória do Conselho de Estado oportunamente feita por  Marques Mendes, e anuncia que é para discutir o pós troika: agora já nem há que discutir. Foram sete horas de reunião - apenas duas para o Dr Soares que, naquela idade, tem de ir cedo para a cama - que, pela ausência de conclusões, deverão ter sido passadas a perceber como o Benfica perdeu o campeonato. Ou a arbitragem do jogo do Porto com o Paços ... 

A dívida não pára de subir, e a Alemanha empurra-nos com toda a força para os mercados - quer é ver-se livre de nós - onde iremos de bater de frente com taxas de juro insuportáveis, para que para eles sejam negativas. O défice é cada vez maior, o que significa mais dívida para cima da dívida. A recessão e o desemprego seguem em via verde, fazendo que mesmo a mesma dívida seja ainda mais dívida.

Mas já é uma dívida sem risco. Está bem: quase sem risco... Estamos ali ombro a ombro com o Iraque, um rival de peso, como se percebe...

 

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DÍVIDA, A MENINA DOS OLHOS

por joshua, em 20.01.11

A menina dos olhos socratista-socialista deve ser, nada mais nada menos, que estes €11 mil por minuto que Portugal tem de pagar só em juros ao estrangeiro, o que se traduz em €28,5 mil milhões em juros, dividendos e rendimentos. É obra! Domingo há uma maneira de caucionar estas contas em ordem, isto é, há uma forma de dar plena aprovação a tal belíssimo trabalho de finanças, bom governo e frugalidade do socialismo socratista hiperclientelar: votar nesse lado da barricada! Se gostam disto, votem que é serviço. Sim, votar em Alegre! Ai não é a Alegre nem aos que o apoiam que se vai agora imputar o descalabro presente e o descalabro futuro da dívida tumular que criaram ao País? É a quem, então?! A Cavaco?! Vá lá, porcalhões sorridentes de mão estendida pelo mundo, aos papéis com o défice, esmagando e esbulhando os portugueses porque é o mais fácil, vocês, aldrabões consumados, agora com terror da sublevação popular, bastão fácil, gatilho leve, algema lassa, limpem as mãos à parede! Enquanto milhões de cidadãos encurralados alombam com combustíveis exorbitantes cujos impostos sornas, abusivos, já estão a corrigir pifiamente a execução orçamental, há que votar nos mesmos, pois então! Abstenham-se de votar em Nobre, que parece incomodar muita gente, e depois queixem-se! É Hora!

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ÉTICA RATOBLICANA

por joshua, em 03.10.10

O socialismo, quando no Governo, não consegue apenas surpreender-nos com laivos de tirania e tiques de partido único. Não. Consegue pôr em pantanas o Estado Social e assassinar a economia sem tirar o pé do regabofe despesista com o seu pessoal político. Guterres era um homem decente. Mas, tirando Guterres, é o fim da picada. Porque tudo se lhes admite. Toda a entorse aos factos brutos da economia. Toda a ocultação das contas reais. Toda a espécie de rasura à verdade, à honestidade, toda a espécie de omissões e falta de explicações. Não respeitam as pessoas. Não têm consideração pelos cidadãos. O Governo começa por se defender das próprias irresponsabilidades com a irracionalidade dos mercados. Afinal, havia um enorme buraco e é obrigado a enforcar a economia em 2011 para estancar o défice público. Com isto os mercados internacionais deixam de ser irracionais e o nível dos juros exigidos à dívida pública portuguesa decresce ligeiramente, apesar de continuar acima de 6%. A ética dos ratos é sempre fugitiva. Ora para trás, como Guterres. Ora para a frente, como Sócrates, mas excluindo sempre a decência, valor inteiramente desconhecido da Situação. O amor do Poder sobreleva qualquer outra coisa, o que explica em grande parte o ponto em que nos encontramos.

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Os três D’s

por Ana Lima, em 01.10.10

Drástico, duro e dramático, dizem alguns jornais europeus para se referirem ao pacote de medidas de austeridade que foi anunciado esta quarta-feira pelo governo em Portugal.

Não sabemos, por enquanto, se estas medidas entrarão realmente em vigor. Mas a verdade é que, para muitas famílias, se tal acontecer, estes três adjectivos passarão a caracterizar também o seu quotidiano. No ano em que se comemoram os 100 anos da implantação da República não deixa de ser triste perceber que continuamos a ser um país pobre, sem recursos que nos valham em situação de crise, sem conseguirmos criar nova riqueza, obrigando o mesmo dinheiro a circular, dos particulares para o estado, neste caso para fazer face à despesa pública. Enquanto a nível estrutural, não forem tomadas medidas com um impacto real e duradouro, estas situações continuarão a repetir-se. E se, com tantos anos de quadros de apoio comunitários, não fomos capazes de garantir alguma capacidade própria de resolvermos os nossos problemas, o que acontecerá daqui para a frente? Será drástico, duro e dramático, sim.

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Uma questão de fazer contas

por Daniel João Santos, em 07.01.10

Além da dívida pública directa do Estado, calculada em Dezembro do ano passado em 132,5 mil milhões de euros, um estudo hoje divulgado pelo Banco BPI aponta para compromissos adicionais de 70,9 mil milhões de euros.

 

Uma questão de fazer as contas, isto para sabermos se estes números são realmente assustadores ou só são pornográficos.

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