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Que povo é este?

por Zélia Parreira, em 05.11.13

A Comissão Europeia acaba de publicar um Relatório sobre o Acesso e Participação em Actividades Culturais. A situação de Portugal no ranking europeu é a que se esperava: Negra.

 

Das actividades culturais listadas, a percentagem de portugueses que não participaram em nada ao longo dos últimos 12 meses é a seguinte:

 

Ballet, Dança ou Ópera: 92%

Teatro: 87%

Bibliotecas públicas: 85%

Museus ou galerias: 83%

Concertos de música: 81%

Monumentos históricos: 73%

Cinema: 71%

Ler um livro: 60%

 

Sem cultura, sem identidade, sem diversão, sem lazer. Ignorantes e mansos, não vá alguém estar a ouvir-nos.

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Estranha forma de ousar...

por António Ganhão, em 14.06.13

Fernando Pinho, director artístico da Casa da Criatividade, deixou de ter salário na última quarta-feira. O programador cultural em Londres, onde estudou no Guildhall School of Music and Drama e onde colabora com a Royal Opera House, o Royal Albert Hall e o London Transport Museum, decidiu agarrar um projecto na sua terra natal, São João da Madeira, e está preparado para mostrar que a cultura é sustentável através de um modelo de gestão em que partilhará lucros e assumirá prejuízos.

 

A câmara de São João da Madeira estipulou um tecto para o valor a suportar em caso de prejuízo. Este gestor/programador cultural tem parte do seu salário indexado aos lucros da Casa da Criatividade.

 

Para se inovar, sobretudo empresarialmente, é preciso cultura.

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Serviço público cultural

por António Ganhão, em 28.01.13

Um jornal tornou pública a lista dos livros que a Opus Dei exclui como leitura apropriada aos seus seguidores.

 

Trata-se de um meritório serviço público que a Opus Dei presta aos seus fiéis e que visa valorizá-los do ponto de vista moral e literário. À primeira vista, a lista parece-me bastante incompleta. Faltam muitos autores que, pela sua qualidade literária, bem que podem comprometer a boa formação cultural de qualquer um, católicos incluídos.

 

Mas o que mais me irrita é um certo snobismo no que diz respeito às exclusões.

 

Mário Carvalho apenas merece alguns reparos a nível moral (e conta apenas com uma entrada), já Saramago, conta com alguns livros classificados como contrários à fé católica e mesmo anti-ICAR. É preciso chegar a uma Marguerite Duras para a coisa se tornar séria, com praticamente toda a sua bibliografia censurada.

No domínio dos best-sellers, Dan Brown consegue três entradas severamente punidas. Já o nosso José Rodrigues dos Santos apenas consegue uma entrada, com a Fúria Divina, arrancando um honroso aviso de leitura “apenas para entendidos”; valha-nos ao menos que não aparece classificado como literatura.

 

Eu sugeria uma significativa melhoria desta lista, mas fica para mais tarde.

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Fica o grupo da sueca

por Daniel João Santos, em 24.10.12

O secretário de Estado da Cultura, Francisco José Viegas, abandonará o cargo “no final do mês, por razões de saúde”. Depois desta saída do governo, de alguém que se comprometeu em levar a Cultura -ficou por se saber para onde-, ficam cada vez menos gente e cada vez mais políticos.

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Não há engano

por Daniel João Santos, em 28.11.11

Não há nada que enganar. Digam o que disserem, façam a ginástica que quiserem, subir a taxa de IVA na cultura para 13% é um aumento e de 100 por cento.

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Sabiam que os centros comerciais estão abertos?

por Daniel João Santos, em 09.10.11

Mas que grande medida para aproximar o cidadão da cultura: Ao Domingo os museus vão passar a ser pagos. Estou de acordo. Que é lá isso de irem para os museus aprenderem alguma coisa. É preciso incentivar o consumo e os centros comerciais estão abertos.

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Uma ideia que causa muitas faíscas

por Ana Lima, em 06.04.11

O ouro vindo do Brasil, no séc. XVIII, não foi aproveitado por Portugal para um desenvolvimento efectivo do seu tecido produtivo, nem para o investimento em áreas fulcrais que poderiam dar os seus frutos no futuro. Mas, para além dos gastos exorbitantes da corte de D. João V,  dos quais temos conhecimento através de registos da época, ficaram, para nossa apreciação, obras como o Convento de Mafra, que nos relembram essa época verdadeiramente áurea.

Hoje o Brasil é novamente origem de algumas riquezas. E, mais uma vez, a aplicação dos lucros da empresa pode passar por mais um edifício, desta vez um centro cultural onde também se vai poder molhar os pés.  

Não querendo ser velho do Restelo ou, desta feita, velha de Belém lembro um poema do poeta brasileiro Manoel Bandeira:

 

"Ouro branco! Ouro preto! Ouro podre!

De cada ribeirão trepidante e de cada recosto
De montanha o metal rolou na cascalhada
Para fausto d’El-Rei: para a glória do imposto
Que restou do esplendor de outrora? Quase nada:
pedras....templos que são fantasmas ao sol-posto."

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Imaterial

por Zélia Parreira, em 06.03.11

Chamava-se Grupo de Trabalho para o Património Imaterial,  e tinha por objectivo um levantamento em «campo», «sistemático» e «tendencialmente exaustivo» do património cultural imaterial português. Foi extinto pelos seus criadores (Ministério da Cultura e das Finanças), depois de se concluir que não havia levantamento nenhum e que a sua actividade se tinha limitado a... uma reunião.  Entretanto, já haviam sido gastos 209 mil euros.                      

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Não conto, não penso, logo sobrevivo

por Daniel João Santos, em 06.03.11

Sou levado a concordar com o Pedro Correia no Delito de Opinião. Um livro precisa sempre de um bom ponto de partida para agarrar o leitor. Tenho ali vários para a ler, alguns começados e outros aguardando que esta preguiça mental passe. Reconheço que não passo de um rústico, sou apenas a força bruta do trabalho, não tenho de pensar. Aliás, tenho notado que esta sociedade não precisa que eu pense, que eu leia, que eu esteja informado. Vivo numa sociedade onde elites lêem por mim, escrevem o que eu devo pensar e querem definir como eu devo agir.  Tudo é cortado, tudo passou a ser despesa e não uma aposta no futuro do país. O Ensino, a saúde, a cultura, tudo passou a ser gerido por números, por euros. Reconheço que não percebo. Sou um analfabeto. Não sei escrever, que não sei ler, não sei pensar,  não sou escravo, não sou a imagem de nenhuma geração à rasca, sou a imagem de uma sociedade anónima, sou apenas um ponto no meio de milhões de pontos que tentam sobreviver.

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ONZE DE SENTARMO-NOS

por joshua, em 11.09.10

A Guerra semeada pelos EUA ainda não resolveu de modo claro quaisquer problemas de insurgência islâmica radical, desde o Onze de Setembro. Libertou, sim, novos e mais letais demónios, mais fervorosos e ousados no all the world's a stage em que vivemos e onde o terror e o chamado contra-terror se entretecem num coito estreito e passional. O que é, por exemplo, a ideia imbecil de queimar o Corão comparado com actos ainda mais imbecis e indignos como este: radicais xiitas vestem-se de mulheres para decapitar e incinerar o imã sunita Jabbar Saleh al-Jibouri, na província iraquiana de Diyala. Nesta coisa difusa que opõe curdos, xiitas e sunitas/árabes, tudo serve para consagrar propósitos de correcção cultural e demográfica. Hoje, sobretudo no Iraque. Um dia, em qualquer lugar, se nada se fizer. A Guerra semeada pelos EUA alimentou um tipo de processo de limpeza religiosa e étnica progressiva, entre linhas religiosas rivais nos territórios alvo, ensaiado nos subúrbios de Bagdade, nas cidades do Paquistão e do Afeganistão, deliberado contra ocidentais em missão militar e a quantos de eles obtêm assistência para formar boas estruturas de segurança ainda incipientes nesses territórios. Esperam-nos longas décadas de conflito, desgaste, lógica expansionista islâmica tenaz, usando a arma de chantagem paradoxal dos números que é, no Ocidente, a "democracia" das maiorias: basta percorrer uma cidade de segunda linha inglesa, francesa, alemã, sueca para o choque ser completo. Só há um País lúcido contra um notório expansionismo colonialista cego de matriz islâmica na "Europa": Israel. Com todos os seus defeitos e imoderações retaliatórias, só Israel entende e faz face à regressão valorativa e civilizacional que um paradigma civilizacional islâmico representaria para o Planeta que viu nascer Voltaire, Ghandi e Luther King. Única saída? Onze de sentarmo-nos num diálogo que não suprima nem suplante o outro explodindo com ele ou fazendo da reprodução intensiva de humanos, sob os lassos sistemas de Segurança Social ocidentais permissivos, o ninho de víboras perfeito que, em poucas décadas, nos há-de literalmente submeter.

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