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Na rota das cagarras

por Eduardo Louro, em 06.05.15

Hoje, nos fiordes da Noruega, onde não consta que haja cagarras, Cavaco falou da propensão dos portugueses para o consumo de peixe, de que são dos maiores consumidores mundiais per capita. E passou de imediato a lamentar o défice comercial no sector, para depois dizer que basta. Que os portugueses não podem continuar a consumir mais peixe do que produzem, transformando logo isso em desafios de investimento aos empreendedores. Presentes e ausentes...

Estava a ouvir isto e não queria acreditar: não me digam que o homem vai fazer mea culpa e, já não digo que peça desculpa pelo que fez às nossas pescas – isso era uma impossibilidade, afinal continua sem dúvidas e sem se enganar –, mas acredita que já ninguém se lembra, e vai apelar ao investimento na nossa actividade pesqueira?

Afinal ele até já por lá apelou ao próximo governo para criar o Ministério do Mar… Não durou mais que um ou dois segundos, a minha expectativa. Mal acabara de pôr o ponto de interrogação no fim da ideia, a acabar de arrumar aquele meu juízo, e já a da boca de Cavaco saíam, não perdigotos encharcados em bolo-rei, mas a revelação da chave do problema: aquacultura.

Tenho que concordar: tem muito menos riscos... Força emprendedores: em força para a aquacultura!

 

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Por trás das cagarras

por Eduardo Louro, em 08.09.13

 

 

A imprensa deste fim-de-semana, que é basicamente o Expresso, dá expressão à notícia que a tão criticada visita de Cavaco às Selvagens, justamente no coração da crise política desencadeada com a irrevogável demissão de Gaspar e a revogável demissão de Portas, foi, afinal, uma jogada de mestre do presidente, uma resposta digna da alta política internacional perante mais uma ameaça traiçoeira espanhola.

É agora divulgado, com ar de grande novidade, o que há muito é público: que a Espanha tem uma estratégia ofensiva com vista ao alargamento das suas águas territoriais que passa por Gibraltar mas também pelas Selvagens. O que se não sabia é que, pelos vistos, a Espanha terá feito pressão na ONU para que as Selvagens fossem consideradas rochedo e não ilhas, pormenor que faz toda a diferença na atribuição da zona económica exclusiva que, no caso, conflitua com a das Canárias. Mas Cavaco sabia-o – é a sua obrigação, naturalmente – e por isso, contra ventos e marés, demissões revogáveis e irrevogáveis, deu um salto às Selvagens e passou lá uma noite, não apenas para provar que aquilo não só tem dono como é habitado. Para reafirmar a soberania da República Portuguesa sobre, ao que se diz, tão rico território marítimo. Tanto assim que o Presidente até já lá dormiu!

A ser assim – e a verdade é que com tantas, e às vezes tão desajeitadas, tentativas de reabilitação de Cavaco, somos sempre levados a desconfiar destas coisas – seríamos todos devedores de um grande pedido de desculpas ao presidente. Eu, por enquanto, excluo-me e não ponho já a corda ao pescoço. Só depois de uma justificação igualmente nobre para a estória das anonas ou para a das sorridentes e felizes vacas açorianas, é que conseguirei aceitar esta agora por trás das cagarras!

 

PS: Para não ser acusado de falta de fair play escolhi duas fotografias, ambas da ocasião, para ilustrar o texto: uma sugere o pedido de desculpas, outra antes pelo contrário.

 

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