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Ai República(s)!

por Ana Lima, em 22.10.13

Primeiro acabou o feriado do 5 de Outubro. Agora fecha a 5 de Outubro.

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O regresso de Maddie (2)

por Cristina Torrão, em 17.10.13

Depois de ter visto o programa sobre o desaparecimento de Maddie, na ZDF, que incluiu uma reconstituição do dia em que a criança desapareceu e uma entrevista ao vivo, no estúdio, com os pais e um inspetor da Scotland Yard, cheguei a duas conclusões (meramente pessoais):

 

1-      Os pais foram negligentes

2-      Não me parece que estejam envolvidos no desaparecimento (ou morte) da filha.

 

Verdade seja dita: a ZDF cumpriu o seu papel de canal estatal e apresentou os factos de forma imparcial. Em nenhum momento, se criticaram os resultados apresentados pela polícia portuguesa, nem o facto de os próprios McCann terem sido declarados arguidos.

 

E porque é que os McCann foram negligentes? Porque deixaram as três crianças sozinhas num apartamento, cuja porta de acesso ao terraço, envidraçada e de correr, não se podia trancar por fora! Outra coisa que me pareceu estranha, na reconstituição apresentada, foi que, das três vezes que alguém foi ver se estava tudo bem com as crianças, deu com a porta do quarto delas mais aberta do que o se tinha deixado. Quando os pais saíram, deixaram apenas uma nesga aberta. No primeiro controle, pelo pai, este surpreendeu-se por essa porta se encontrar mais aberta do que o que deixara e tornou a quase fechá-la. O segundo controle, na minha opinião, problemático, foi feito por um amigo do casal, que jantava com eles, e que pretendia controlar os próprios filhos, deixados nas mesmas condições, noutro apartamento. Esse indivíduo não controlou todas as camas dos McCann, nem sequer entrou no quarto das crianças. Recordemos que estava escuro. E ele contentou-se com o facto de estar tudo sossegado, apesar de achar estranho que a porta do quarto estivesse escancarada. Ele próprio tê-la-á fechado, a ponto de deixar a tal nesga. Mas estaria Maddie ainda no apartamento?

 

O terceiro controle foi feito pela mãe. Também estranhou a porta do quarto das crianças estar escancarada! E, ao querer entrar no quarto, a porta bateu-se-lhe defronte do nariz, movida por uma corrente de ar. Ao tornar a abri-la, constatou que a janela do quarto estava aberta e as persianas puxadas para cima (não as tinha deixado assim). Logo ficou nervosa, algo de estranho se passava. Constatou que a cama de Maddie estava vazia e entrou em pânico.

 

Enfim, recordemos que esta reconstituição terá sido feita com os testemunhos dos próprios pais e das pessoas que os acompanhavam. Mas o assunto estava praticamente esquecido. Se eles tivessem culpa no cartório, porque insistem em chamar as atenções?

 

A criança foi, provavelmente, raptada. Mas não acredito que esteja viva.

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O regresso de Maddie

por Cristina Torrão, em 16.10.13

Hoje, na Alemanha, fervilha-se com o caso Maddie. Os pais e um investigador da Scotland Yard vão estar, ao serão num programa da ZDF. Aktenzeichen XY, assim se chama, caracteriza-se por tratar de crimes não resolvidos. É um programa de muita audiência, há mais de duas décadas, em que os casos são encenados, com atores, na esperança de que alguém tenha presenciado alguma cena e se lembre de algum detalhe que seja útil para a investigação. São postas linhas telefónicas à disposição, diretamente para os estúdios.

 

Hoje, far-se-á a reconstituição do dia em que Maddie desapareceu (como num filme). E os pais serão entrevistados, em estúdio, pelo apresentador Rudi Cerne. O motivo será o facto de os novos suspeitos terem, possivelmente, falado alemão (pelo menos, na opinião de supostas testemunhas).

 

Nem sei o que pensar de tudo isto. E penso que aí, em Portugal, a maior parte das pessoas também não. Deparei hoje com uma notícia online (em alemão), que refere que os portugueses não se interessam pelo retomar das investigações e que o ex-PJ Gonçalo Amaral considera tudo uma operação publicitária, a fim de confundir o público.

 

Tanto barulho por nada? Mas o que terá acontecido à criança? Viremos, algum dia, a saber?

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A pergunta que se impõe fazer

por Daniel João Santos, em 21.09.13

"O governo está determinado em prosseguir o seu caminho." - Pedro Passos Coelho

 

E quem lhe disse que os portugueses querem ir também?

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Dá para acreditar num país assim?

por Eduardo Louro, em 19.09.13

Não sei se já repararam como tudo mudou depois das férias. Não sei se já repararam como "acabou o Verão e voltamos à realidade".

Antes era a economia que tinha crescido no segundo trimestre, era a economia a dar completamente a volta. Era o novo ciclo. Era Passos, pelo segundo ano consecutivo, na festa do Pontal, a decretar a vitória final sobre a crise, seguro (seguro - estão a ver!) do êxito da sua brilhante governação. Mal compreendida, mas inequivocamente eficaz...  Até o desemprego já estava a cair, e Passos já roçava a arrogância a anunciar tantos sucessos!

Era Pires de Lima na pele ministro da economia maravilha, o novo IRC de Lobo Xavier que fazia milagres e Portas a falar grosso com a troika...

Bastou uma semana para tudo isto desaparecer, bastou uma semana para parecer que mudamos de país. Numa única semana, nesta, que nem sequer ainda chegou ao fim, a Standard & Poor´s ameaça de corte o rating, que já classificara em lixo, e fala da iminência de um segundo resgate, o país está às voltas com a troika - a quem Cavaco pede bom senso - para rever a meta do défice,  e até Ramalho Eanes diz que o país está sem saída. As más notícias sucedem-se, umas atrás das outras. O FMI diz-nos que fomos cobaias e que a experiência correu mal, que correu mal o que Passos ainda há duas semanas se vangloriava de ter corrido bem.

Tudo isto apesar do barulho ensurdecedor da campanha eleitoral. Agora imagine-se no que aí virá depois do fim do mês...

Será que dá para entender este país? 

Não dá, mas não é esta resposta que me preocupa. Preocupa-me é a resposta se mudarmos a pergunta: Será que dá para acreditar num país assim?

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A verem passar navios

por Daniel João Santos, em 17.09.13

Os funcionários da Troika, que estão em Lisboa, conseguiram algo inédito em Portugal: Patrões e sindicatos em sintonia, mas também a verem passar navios.

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Portugal e o mito

por Cristina Torrão, em 08.07.13

"Ao propor o ideal da heroicidade a todos os cidadãos, pelo simples facto de a narrar como história do povo lusíada, a épica quinhentista veio em socorro dos historiadores da nação e marcou indelevelmente cronistas e memorialistas portugueses até aos nossos dias.

(...)
A dificuldade de distinguir a História da Epopeia continua até hoje. Foi preciso uma profunda alteração política para que a História propriamente dita fosse possível nas universidades, mas parece ser ainda difícil fazê-la penetrar nos discursos políticos, na imprensa e na vida pública. O mito insinua-se constantemente nas comemorações de factos gloriosos do passado e seduz poderosamente as comissões encarregadas de as promoverem. Reveste-se, então, das cores sedutoras de «busca da identidade nacional»".

 

Naquele Tempo, José Mattoso (Temas e Debates, 2ª edição, Janeiro de 2011 - p.456; destaque meu)

 

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Certamente vos acontece, como a mim, ao verem algumas séries produzidas para televisão, acharem que os argumentistas se estão a esticar até ao limite, ao imaginarem ligações mirabolantes entre personagens e acontecimentos absolutamente inverosímeis. Por vezes sinto até dificuldade em acompanhar, de forma clara, o desenvolvimento da história.

Pois foi isso mesmo que senti ao ler este artigo... Qualquer dia os jornalistas do Público começam a ser confundidos com os autores do Inimigo Público... É que se isto parece real...


P.S. Já viram as potencialidades ficcionais da designação das empresas? Triângulo da Performance, então...

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Desabafos

por Cristina Torrão, em 19.06.13

Tenho andado arredada da blogosfera, por força das circunstâncias. Mas, agora que estou em casa, penso que as coisas normalizarão.

 

Estranho dizer que estou «em casa», agora que cheguei à Alemanha. É o problema de viver há tanto tempo no estrangeiro. Aqui, sou sempre uma estrangeira e, na verdade, já não me sinto completamente «em casa», quando estou em Portugal, um país que visito de fugida, onde não me banho diariamente, um banho que é essencial para falarmos, sentirmos, respirarmos e suarmos Portugal.

 

Desta vez, a minha visita foi ainda mais estranha do que o costume. A minha mãe foi operada a um cancro, em meados de Maio, um processo que me vi obrigada a acompanhar através de telefonemas, emails, SMS's e fotografias. É nestas alturas que sentimos as distâncias, que notamos que já não pertencemos...

 

Felizmente, correu tudo bem. Pouco tempo depois, estivemos juntas, pudemos conversar. Mas havia sempre uma barreira, uma distância, a consciência, de parte a parte, de que se tratava de uma situação especial, que, em breve, eu já não estaria ao lado dela.

 

À quimioterapia, seguir-se-á a radioterapia, o suficiente para ocupar os meus pais mais de meio ano, com viagens desgastantes entre Macedo de Cavaleiros e o Porto. É óbvio que já não são novos, já ultrapassaram os setenta. E eu fico preocupada com eles. E pergunto-me onde eu deveria estar, pergunto-me onde ela gostaria de me ter. Perguntas que não fiz e que ela não abordou. Com medo das respostas...

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O Atlântico pode estar a desaparecer

por Eduardo Louro, em 18.06.13

Vi esta notícia e achei que era a natureza finalmente ao nosso lado, solidária com este povo que sofre aqui neste cantinho da Europa, que já foi jardim à beira mar plantado.

Acabar com o Atlântico é tirar a Portugal aquilo a que deixou de dar uso. Não prejudica o país, que há muito lhe voltou costas. Ainda nos servia de praia mas, sem subsídio de férias e sem feriados e pontes, já nem para isso nos serve.

Mas, mais do que livrarmo-nos de uma coisa que já não usamos, acabar com o Atlântico é fazer-nos americanos. E isso não é só o cumprimento do desejo máximo do governo de acabar com os portugueses. De os mandar embora, já sem que tenham que emigrar. É também o cumprimento do maior sentimento de vingança dos portugueses, deixando a Europa a falar sozinha. É deixar o centro e o norte da Europa sem sol, sem praias e sem uns tipos para chatear… É deixar a Alemanha com o seu clube de amigos e satélites, cheia de gente chata, loura, de olhos azuis e muito produtiva…

E ainda dávamos boleia aos espanhóis, que finalmente nos ficariam a admirar. E eternamente gratos…

Mas nada de ficar já a esfregar as mãos. Isto não é coisa de atar e pôr ao fumeiro, demora o seu tempo. Tudo para cima de uns 200 milhões de anos…    

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