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Hoje lembrei-me da saudosa Janela Indiscretado Pedro Rolo Duarte, e fui dar uma espreitadela à volta da mensagem de Ano Novo do Presidente. Aqui fica o roteiro, para quem o quiser seguir:

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Mensagem velha de Ano Novo

por Eduardo Louro, em 01.01.14

 

 

O Presidente da República brindou-nos com uma mensagem de Ano Novo ao melhor estilo de Cavaco Silva: começou por recordar a sua própria legitimidade democrática para depois dizer nada.

Quis que ficasse claro que tem toda a legitimidade para dizer nada. E a mesma para nada fazer!

Sobre o Orçamento… nada. Apenas o discurso do governo. Ou seria de Mário Draghi?

Ah... e aquela conversa dos nossos parceiros europeus, que aí estão, prontos a ajudar. No programa cautelar...

Já percebemos. E já conhecemos a ajuda!

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A decisão da não decisão

por Eduardo Louro, em 26.12.13

 

 

O presidente decidiu não enviar o Orçamento de Estado para o Tribunal Constitucional, para fiscalização preventiva.

Nada de estranho. Já assim foi no passado, e sabemos que Cavaco nada fará que crie dificuldades ao seu governo. Como sabemos que dá importância máxima à entrada em vigor do orçamento a 1 de Janeiro, e importância mínima à alteração dos normativos que fixam prazos absurdos – alguém entenderá por que é que o Orçamento passa mais de um mês no Parlamento? - todos eles cumpridos até ao último dia. Mesmo por ele!

Nem se estranha que o presidente tenha transformado esta decisão numa não decisão, tão avesso que é a tomar decisões: "A Presidência não comenta, uma vez que não há nenhuma decisão presidencial". O problema é que, se não é uma decisão, é um lapso. Um esquecimento. E então o comentário teria de ser: “A Presidência lamenta e pede desculpa mas, sem se aperceber, e porque gosta de esgotar todos os prazos até ao fim – os prazos, mais que para serem cumpridos, fizeram-se para serem usados - deixou escapar o último dia do prazo para enviar o Orçamento para fiscalização preventiva do Tribunal Constitucional”!

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Marcante

por Eduardo Louro, em 12.12.13

 

 

Para o marcante Presidente da República que temos tudo é marcante. Agora é a morte de Nelson Mandela que é "o acontecimento mais marcante de sempre"...

A vida de Mandela terá tido algum interesse, mas marcante mesmo é a sua morte. Que seria do mundo se Mandela não tivesse morrido?

Francamente...

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Tanta hipocrisia...

por Eduardo Louro, em 06.12.13

Temos o muito nosso hábito de transformar os mortos em pessoas perfeitas. Um tipo pode não ter sido lá grande coisa em vida, mas logo que morre passa a ser o melhor do mundo… É normalmente assim em Portugal, e a isso chama-se hipocrisia. Em que também não somos nada maus…

A morte de Mandela mostrou-nos que essa hipocrisia não é um exclusivo nacional, mas mostrou-nos também que nem no caso deste Homem ímpar deixamos os nossos créditos por mãos alheias. A unanimidade à volta de Mandela não é assim tão desprovida dessa hipocrisia. Por exemplo, foi bonito de ver o discurso de Obama, elevando Mandela à categoria de seu mentor, de exemplo no passado e de luz para o futuro. Mas Mandela manteve-se proscrito nos Estados Unidos até 2008, foi mesmo até então considerado terrorista…

Também o Presidente Cavaco - que atinge o ridículo - e o primeiro-ministro Passos, não pouparam nos encómios, deixando a ideia que também em Portugal se não fugia à unanimidade em volta desta que é uma das maiores figuras da História Contemporânea. Tem sido no entanto recordada uma das últimas iniciativas em sede de plenário da ONU contra o regime do apartheid, em 1987, numa votação em que se pedia a libertação de Nelson Mandela, onde o governo presidido por Cavaco levou Portugal a votar contra, ao lado dos Estados Unidos, de Regan, e do Reino Unido, de Tatcher.

Ouvido sobre assunto, o actual ministro dos negócios estrangeiros engasgou-se - mas isso já é costume em Rui Machete – acabando por se limitar a invocar a sinceridade dos sentimentos manifestados agora pelo governo português. Mais refinadas foram as declarações de João de Deus Pinheiro, ministro dos negócios estrangeiros (MNE) daquele governo de Cavaco, para quem a decisão teria sido de um qualquer director geral. Dele – MNE – não tinha sido e que Cavaco não tinha tido nada a ver com aquilo. Que o que importava relevar era o papel do agora Presidente da República no fim do apartheid na África do Sul, vejam só.

Maior hipocrisia é impossível!

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A pergunta que se impõe fazer

por Daniel João Santos, em 26.11.13

O senhor Presidente da Republica, é verdade temos um, Cavaco Silva está preocupado com o regime de convergência das pensões. Os amantes da conspiração diriam que esta é uma atitude de quem é pensionista e lhe estão a atacar o bolso, mas isso seria um pouco demais ou não seria?

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Constitucionalidades

por Eduardo Louro, em 20.10.13

 

Procuramos incluir o mínimo de questões com polémica” – diz Passos Coelho. Sempre bem sucedido, sempre a atingir objectivos…

E convencido: “está convencido que as soluções que encontrou são soluções que estão de acordo com a nossa prática constitucional”. Naturalmente: a sua prática constitucional é ignorar a Constituição!

Tudo isto no Panamá, ao lado do presidente que ia dizendo que fiscalização preventiva do orçamento é que não. Não foi assim o ano passado, não será assim este ano.

Ah! E sobre aquele funcionário da Comissão Europeia nem uma palavra... Não tem importância nenhuma!

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Vozes

por Eduardo Louro, em 17.10.13

 

 

Mário Soares segue e soma, sem sequer uma pausa para descanso. Não fosse isso, a deixar a ideia que dispara em todas as direcções e sobre tudo o que mexa, e seria bem maior o peso daquilo que diz.

Não fosse isso – isso e alguns flancos pouco protegidos que fazem com que se multipliquem os anticorpos – e o regime abanaria quando diz que os membros do governo são delinquentes, e que devem ser julgados. Não fosse isso e, como escreve hoje Fernando Dacosta no i, Mário Soares seria o líder da oposição que falta ao país. Não fosse isso, isso e o capital político que desperdiçou nas lutas eleitorais em que, fora de tempo e de nexo, se envolveu depois do seu último mandato presidencial, e seria a voz da ressonância do protesto português.

Não fosse isso e o eco da sua pergunta de hoje - “Porque é que o Presidente da República não é julgado pelo BPN?” - seria equivalente ao estrondo da própria pergunta...

É certamente inédito que, dentro do mesmo regime, um ex-presidente da república chame delinquentes aos membros do governo, reclame o seu julgamento e sugira que há também razões para levar a julgamento o presidente da república em exercício.

Se da parte do governo não veio qualquer reacção, já Cavaco reagiu de imediato, reiterando  “que a única relação que teve com o BPN foi a de depositante”. Mas acrescentando mais uma razão para ser levado a julgamento: por mentir e enganar os portugueses que, como se sabe, não é em Portugal razão para tanto.

Porque, como está farto de saber que nós sabemos, ele não foi um simples depositante. Foi accionista, teve acções, por convite e sem preço de referência da Sociedade Lusa de Negócios, não cotada em bolsa. Lucrou - o lucro não é condenável, mas o lucro anormal é suspeito – em muito com isso. Porque, como ele está farto de saber que nós sabemos, Oliveira e Costa e Dias Loureiro quando fundaram aquela associação criminosa com nome de banco já não eram, como ele diz, ministros dos seus governos. Mas foi à sombra dos seus governos, do partido que liderava e contando com a sua protecção – como ficou mais que evidente na forma como aguentou Dias Loureiro no Conselho de Estado – que o fizeram. As acções que lhe foram parar às mãos reflectem isso mesmo: a sua sombra protectora!

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Ma-so-quis-mo

por Eduardo Louro, em 03.10.13

Em terras suecas o Presidente da República, depois de ter decretado o fim da recessão, atirou-se à dívida para a declarar sustentável. Ele que ainda no início do ano identificava uma espiral recessiva na economia nacional e alertava para a insustentabilidade da dívida…

Agora não acha apenas que a dívida é sustentável. Acha que quem achar o contrário é masoquista. Mas cheira é a sadismo, quando diz que dizer que a dívida é insustentável é “uma atitude de ma-so-quis-mo”!

Poderia dizer que isto é ton-ti-ce, mas como isso não se pode dizer do Presidente da República, direi que é sadomasoquismo. Uma coisa tão portuguesa como o fado, o fado que nos entregou a esta gente: Cavaco na presidência, Passos Coelho no governo e Seguro na oposição (e ainda Merkel na Europa) é, como ainda há dias escrevia Miguel Sousa Tavares, a tempestade perfeita!

 

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Por trás das cagarras

por Eduardo Louro, em 08.09.13

 

 

A imprensa deste fim-de-semana, que é basicamente o Expresso, dá expressão à notícia que a tão criticada visita de Cavaco às Selvagens, justamente no coração da crise política desencadeada com a irrevogável demissão de Gaspar e a revogável demissão de Portas, foi, afinal, uma jogada de mestre do presidente, uma resposta digna da alta política internacional perante mais uma ameaça traiçoeira espanhola.

É agora divulgado, com ar de grande novidade, o que há muito é público: que a Espanha tem uma estratégia ofensiva com vista ao alargamento das suas águas territoriais que passa por Gibraltar mas também pelas Selvagens. O que se não sabia é que, pelos vistos, a Espanha terá feito pressão na ONU para que as Selvagens fossem consideradas rochedo e não ilhas, pormenor que faz toda a diferença na atribuição da zona económica exclusiva que, no caso, conflitua com a das Canárias. Mas Cavaco sabia-o – é a sua obrigação, naturalmente – e por isso, contra ventos e marés, demissões revogáveis e irrevogáveis, deu um salto às Selvagens e passou lá uma noite, não apenas para provar que aquilo não só tem dono como é habitado. Para reafirmar a soberania da República Portuguesa sobre, ao que se diz, tão rico território marítimo. Tanto assim que o Presidente até já lá dormiu!

A ser assim – e a verdade é que com tantas, e às vezes tão desajeitadas, tentativas de reabilitação de Cavaco, somos sempre levados a desconfiar destas coisas – seríamos todos devedores de um grande pedido de desculpas ao presidente. Eu, por enquanto, excluo-me e não ponho já a corda ao pescoço. Só depois de uma justificação igualmente nobre para a estória das anonas ou para a das sorridentes e felizes vacas açorianas, é que conseguirei aceitar esta agora por trás das cagarras!

 

PS: Para não ser acusado de falta de fair play escolhi duas fotografias, ambas da ocasião, para ilustrar o texto: uma sugere o pedido de desculpas, outra antes pelo contrário.

 

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