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Delirio e mais qualquer coisa

por Daniel João Santos, em 08.03.09

Bati em todas as portas que encontrei. Não tive vergonha de pedir amizade em forma de esmola. Sim, alimento-me dela, sem ela morreria com fome de vida.

Algumas abriram-se, não sem antes espreitarem o indigente que estava ali de mão esticada. Sim, eu sei, continuo a delirar, sou louco…

 

Obrigado pela vossa sopa, pelo caldo da esperança que me deu forças. Sim, eu sei, continuo a delirar, sou louco…

 

Mas a sopa acabou e não consigo mais.

 

Não sei por onde ando, mas aqui me sento debaixo da ponte da indiferença, sou um resto, nem sei se sou alguém. Sinto-me só neste mundo de ficção que se transformou numa dura realidade. Sim, eu sei, continuo a delirar, sou louco…

 

O frio da solidão faz eco na rua onde me deito. Aqui desassossegado, não incomodo ninguém neste chão duro, sou uma linha na paisagem suja da cidade. Sim, eu sei, continuo a delirar, sou louco…

 

A semana será difícil, contarei todas as horas e todos os infinitos segundos, o tempo não passa, mas a esperança sim.

 

Sim, eu sei, continuo a delirar, sou louco…

 

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8 comentários

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De manuel gouveia a 08.03.2009 às 19:29

Ainda te retiras para o deserto por 40 dias...
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De Daniel João Santos a 08.03.2009 às 22:40

é só uma semana.
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De Cristina Ribeiro a 08.03.2009 às 20:27

Louco é aquele que se julga tão auto-suficiente que pensa não precisar de estender a mão...
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De Daniel João Santos a 08.03.2009 às 22:42

Estender a mão e receber amizade. Esse é aquele que arrisca, que aoo olhos desta nossa sociedade é louco.
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De Diogo a 08.03.2009 às 22:33

Gostei, e quanto a ser louco... o clube é grande.
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De Daniel João Santos a 08.03.2009 às 22:43

Sem duvida que é.
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De António de Almeida a 08.03.2009 às 22:46

Mantém a loucura...
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De Daniel João Santos a 08.03.2009 às 22:47

Aquele abraço, amigo António.

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